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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Jiu-jitsu História

História

A história mais divulgada de praticamente todas as artes marciais orientais se insere na mesma tradição lendária da origem do Zen, ao qual se pretende que estas artes marciais estejam ligadas em sua origem: o Zen teve origem na ìndia, através da difusão feita por missionários budistas saídos desta região e, nesta linha, se chega à figura lendária de Bodhidharma, indiano que teria sido o 28º patriarca do Zen, fundador do Mosteiro Shaolin, na China, de onde se teriam originado os estilos do kung fu (Wu Shu), exportados para o resto do Oriente nesta clara tentativa de ligar todas as artes marciais orientais a esta lendária origem comum com a origem do Zen.

Mas se mesmo esta origem do Zen, na literatura especializada no assunto, é vista pelos estudiosos sérios, como Allan Watts, como tentativa piedosa de traçar uma ligação contínua da tradição com a origem remota na figura do Buda, com muito mais razão o estudioso sério de artes marciais deve ser alertado para o perigo de aceitar a Índia ou mesmo a China como "origem" de todos os estilos de luta oriental.

Segundo um especialista do quilate de Donn Draeger, Ph D em Haplologia e especialista em Artes Marciais orientais, “o jujutsu em si é produto japonês”. Para ele, atribuir ao Jiu jitsu origem mesmo chinesa (sobre a “origem indiana” ele nem cogita) é o mesmo que atribuir ao inventor da roda o desenvolvimento dos carros modernos.

Antigamente havia vários estilos de jiu-jitsu, e cada clã tinha seu estilo próprio. Por isso o jiu-jitsu era conhecido por vários nomes, tais como: kumiuchi, aiki-ju-jitsu, koppo, gusoku, oshi-no-mawari, yawara, hade, jutai-jutsu, shubaku e outros.

No fim da era Tokugawa, existiam cerca de 700 estilos de jiu-jitsu, cada qual com características próprias. Alguns davam mais ênfase às projeções ao solo, torções e estrangulamentos, ao passo que outros enfatizavam golpes traumáticos como socos e chutes. A partir de então, cada estilo deu origem ao desenvolvimento de artes marciais conhecidas atualmente de acordo com suas características de luta, entre elas o judô e o aikidô.

O Jiu-jitsu era tratado como jóia das mais preciosas do Oriente. Era tão importante na sociedade japonesa que chegou a ser por decreto imperial proibido de ser ensinado fora do Japão ou aos não japoneses, proibição que atravessou os séculos até a primeira metade do século XX. Era considerado crime de lesa-pátria ensiná-lo aos não japoneses. Quem o fizesse era considerado traidor do Japão, condenado à morte, sua família perdia todos os bens que tivesse e sua moradia era incendiada. Com a introdução da cultura ocidental no Japão, promovida pelo Imperador Meiji (1867-1912), as Artes Marciais caíram em relativo desuso em função do advento das armas de fogo, que ofereciam a possibilidade de eliminação rápida do adversário sem o esforço da luta corporal. As artes de luta só voltaram a ser revalorizadas mais tarde, quando o Ocidente também já apreciava esse tipo de luta.

Por muito tempo, o Jiu-jitsu foi a luta mais praticada no Japão, até o surgimento do Judô, em 1882. O Jiu-jitsu caiu em desuso e perdeu a sua popularidade quando a polícia de Tóquio organizou um combate entre as escolas mais famosas de Judô e Jiu-jitsu que teve por resultado 12 combates de 15 ganhos pelo Judô e um empate. Desta forma a polícia de Tóquio, que resume a sua eficácia a arte marcial pois não usavam armas, escolheu a prática do Judô, desta forma o Judô ganhou fama e popularidade por todo o Japão. Mas o Jiu-jitsu não foi esquecido nem apagado, a sua prática foi mantida viva por algumas escolas. Nos dias de hoje é difícil encontrar a arte marcial antiga e original do Jiu-jitsu pois sofreu algumas variantes e influencias de outras artes marciais de forma a adaptar-se as novas realidades e necessidades dos praticantes.

No Brasil

Mitsuyo Maeda, mais conhecido como Conde Koma, era campeão mundial de Judô e Jiu-Jitsu. Maeda, que pesava 75 quilos e media 1,60m, aceitou desafios de qualquer modalidade de luta, vencendo a todos. Em 1917, foi enviado ao Brasil em missão diplomática com o objetivo de receber os imigrantes japoneses.


Conde Koma

Gastão Gracie conheceu o mestre japonês na cidade de Belém, onde morava com sua esposa e seus filhos. Gastão ajudou Maeda a se estabelecer na nova terra. Para demonstrar sua gratidão, Maeda ensinou a Carlos Gracie, filho mais velho de Gastão, o jiu-jitsu japonês. Carlos, ainda jovem, apaixonou-se por essa arte marcial e dedicou toda sua energia a essa descoberta.

Após a morte de Conde Koma, por volta de 1928, Carlos passou a ensinar aos seus irmãos o que o mestre lhe ensinara como forma de homenageá-lo e também para que o Jiu-Jitsu não morresse.


Carlos Gracie aos 96 anos

Em 1930, os Gracies mudaram-se para o Rio de Janeiro e abriram a primeira academia de Jiu-Jitsu do Brasil. Hélio, irmão mais novo de Carlos, adolescente mirrado e fraco foi proibido pelos médicos de praticar a luta, porém ficava dias inteiros apreciando o irmão. Aprendeu a arte suave japonesa apenas olhando e simulando os movimentos de combate. Um dia Carlos se atrasou e Hélio acabou dando aula em seu lugar, tornando-se o mais novo instrutor da academia. Hélio Gracie desenvolveu uma técnica na qual era incansável, baseada na força de alavanca. Esta técnica permite ao lutador mais fraco vencer o lutador mais forte, sem grandes esforços.

Mestre Hélio Gracie deu início a uma nova era do Jiu-Jitsu, a era do Gracie Jiu-Jitsu, desenvolvido por ele e passado para toda a família. Arte conhecida também por Jiu-Jitsu Brasileiro, tornou-se mais "suave" nas mãos de Hélio e popularizou-se como a arte marcial mais eficiente forma de auto-defesa do mundo, já provadas, pelos resultados nas constantes competições de vale tudo existente no mundo.


Hélio Gracie

Benefícios do Jiu-Jitsu

De uns tempos para cá, proliferam academias das mais variadas lutas orientais como Judo, Karatê, Kung-fu, Taekwondo, Aikido, Boxe Tailandês, etc. A verdade, porém é que a base de todas as lutas é o JIU-JITSU, que é composto de 113 estilos, dos quais somente 64 são conhecidos em nossos dias, podendo ser praticado em pé ou no chão e com qualquer tipo de vestuário.

Do Jiu-Jitsu por exemplo, nasceu o judô que nada mais é do que a parte de desequilíbrio do JIU-JITSU, ou do Karatê, Taekwondo e Kung-fu, que englobam os golpes traumáticos (ATEMI) e tambem o Aikido, que é parte das torções extraídas do JIU-JITSU.

O JIU-JITSU é um esporte intelectualizado e tendo em vista sua complexidade, seus movimentos obedecem a uma ordem crescente de controle e inteligência tendo seu aprendizado recomendado por médicos, pisicólogos e educadores, como integrante da educação, paleativo de tensões psíquicas e fator de desenvolvimento físico. Seus movimentos regulam o controle motor, atuando como efeito de psicomotricidade, autoconfiança e total controle de si mesmo condicionando os reflexos, induzindo as decisões rápidas e seguras em situações caóticas e consequentemente desprovendo de complexos seus praticantes.

Tem por finalidade o desenvolvimento de todos os homens e visa, principalmente, a defesa do indivíduo sem a prática da violência. Assim quem aprende JIU-JITSU, mesmo que fisicamente mais fraco, está em condições de se defender de qualquer agressão através de movimentos que têm por base o princípio da alavanca , sem precisar necessariamente de usar força ou violência.

Visa também, o desenvolvimento da personalidade do indivíduo, estimulando as qualidades positivas e intelectuais do praticante, pois não se trata de uma luta e sim de um SISTEMA DE DEFESA que exige, antes de mais nada, o uso da inteligência para consumação do golpe que se pretende aplicar. Um praticante de JIU-JITSU desenvolve-se física e mentalmente.

Não pretende o JIU-JITSU criar valentões, mas evidentemente seus praticantes se tornam pessoas confiantes, eliminando do sub consciente o medo do golpe físico que todos naturalmente tem. Fácil é verificar-se a utilidade do JIU-JITSU na educação, já que a criança e o jovem, vítimas maiores da insegurança e dos temores, bem depressa aprendem a ter confiança em si mesmos e passam a ter maior desenvolvimento nos estudos, nos esportes em geral e até mesmo no relacionamento familiar.

Isto é válido também para os adultos, pois a confiança em si próprio é a mola-mestra do sucesso em qualquer ramo da atividade humana, notadamente naqueles setores onde o indivíduo é mais exposto aos olhos e, consequentemente, à crítica dos que o rodeiam.

Pode-se concluir que o JIU-JITSU, na forma tradicional e como é ensinado, é um grande auxiliar da formação moral e intelectual de qualquer indivíduo. Sua prática é recomendada à todos, pois os princípios de ordem moral e física que seu praticante adquire, trazem-lhe subsídios valiosos na formação de seu caráter e de sua personalidade.

Significado e Filosofia

A palavra Jiu-Jitsu pode ser grafada como Jiu-Jitsu, Jujitsu e Jujutsu. Embora a grafia mais correta seja Jujitsu, no Brasil a mais utilizada é Jiu-Jitsu. Em japonês Jiu-Jitsu é representado por dois ideogramas:

Ju=Suave
Jutsu=Técnica ou arte

Assim temos a Arte Suave ou delicadamente vencer a brutalidade. No entanto relatos sugerem que o significado deste ideograma (um ideograma, como o próprio nome diz, transmite idéias que às vezes são difícies de definir com poucas palavras) esteja relacionado com a forma como os guerreiros derrotavam seus adversários o que nos leva a crer no tom de enaltecimento do estilo. O Jiu-Jitsu é uma arte complexa de se estudar e simples de se praticar.

Fundamentos

O Jiu-Jitsu é uma luta de origem japonesa cujo objetivo é dominar o adversário através de técnicas de imobilização, estrangulamento ou chave articular. As técnicas de estrangulamento e de chave articular têm como finalidade fazer com que o adversário desista da luta. Um dos princípios do Jiu-Jitsu é utilizar golpes que constituem alavancas mecânicas e nesse sentido possibilitam que um indivíduo com menor força muscular consiga vencer um adversário mais forte, porém com menor habilidade nas execuções das técnicas.

Suas técnicas divimdem-se em:
1)Projeções
2)Traumatismo
3)Torções
4)Estrangulamentos
5)Pressões
6)Imobilizações
7)Desequílibrios e inversões no solo

O Jiu-Jitsu pode ser praticado de 4 formas:

1)Esportivo - Sem golpes traumáticos, apenas com projeções, torções, estrangulamentos, imobilizações, pressão, desequílibrio e inversões;
2)Freestyle - com golpes traumáticos como socos, chutes, cotoveladas, cabeçadas, joelhadas, etc, além das técnicas utilizadas no Jiu-Jitsu esportivo;
3)Defesa pessoal - com técnicas específicas para se defender de um agressor na rua, estando o agressor armado ou não;
4)Submission-semelhante ao Jiu-Jitsu esportivo, mas sem quimono.

Numa competição de Jiu-Jitsu esportivo não há empate, as lutas são decididas por, desistência, desclassificação, perda dos sentidos, pontos e vantagens.

As posições técnicas que valem pontos são as seguintes:

Montada = 4 pontos
Montada pelas costas = 4 pontos
Pegada pelas costas = 4 pontos
Passagem de Guarda = 3 pontos
Projeções (quedas) = 2 pontos
Joelho na Barriga = 2 pontos
Desequilíbrios (raspagem) = 2 pontos

Sistema de Graduação

O sistema de graduação no Jiu-Jitsu obedece a critérios referentes à idade do praticante e ao tempo de prática. Até 15 anos, as faixas são, em ordem crescente: branca, cinza, amarela, laranja e verde. A partir dos 16 anos as faixas são distribuídas em branca, azul, roxa, marrom, preta, preta e vermelha e finalmente vermelha. O atleta que iniciar os treinos com idade anterior as 16 anos ao completar a idade de 16 anos automaticamente deverá ser graduado com a faixa azul.

Em cada faixa, de branca a marrom, existe uma ponta preta, na qual deve ser colocado 4 graus para que o aluno possa ser graduado à próxima faixa. A ponta preta indica o alvo a ser atingido pelo aluno, isto é, a faixa preta.

Na faixa preta a ponta é vermelha, e devem ser colocados 6 graus para que o professor seja graduado faixa vermelha 7º e 8º grau, e posteriormente à faixa vermelha 9º grau.

Apesar da faixa cinza não ser uma faixa oficial , ela é usada com o objetivo de incentivar os alunos na faixa etária entre 5 e 12 anos de idade, até atingir a faixa amarela.

Treinamento de crianças e adolescentes

É muito comum vermos pais, que em alguns casos foram atletas frustados, exigirem uma dedicação sobre-humana dos filhos à prática de artes marciais. Discordamos totalmente desses pais. Nesse período a criança deve ter prazer com a prática esportiva de tal forma que quando se tornar um adulto terá incorporado aos seus hábitos práticas saudáveis e um caráter forte. Ainda mais no Jiu-Jitsu em que o reconhecimento só é alcançado após o indivíduo ter obtido a faixa preta. De que adiantaria um menino de 12 anos ter sido campeão brasileiro, mundial ou qualquer título, se ao final ele não continuou com a prática esportiva e nem mesmo alcançou a tão sonhada faixa preta? Não somos contra a competição infantil, mas achamos que a pressão exercida pelos pais e por alguns professores é por demais exagerada.

A fase pré-escolar até a pubescência deve ser preparação inicial e formaiva, o aluno deve poder experimentar o máximo de suas potencialidades sem cobranças excessivas. Na pubescência, além da preparação formativa, iniciamos um processo de especialização em que o aluno irá refinar o gesto motor. Na adolescência esta especialização irá aumentar e o rendimento começa a ser um fator importante. Finalmente na época adulta entramos na fase de rendimento elevado em que o atleta irá explorar o seu máximo.

Não podemos nos esquecer dos indivíduos que treinam apenas por hobbie e não almejam o sucesso esportivo, mas sim a manutenção de níveis ideais de saúde.


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Leon Master

Leon Master
Equipe Koi Artes Marciais Apoiada